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COMO REDUZIR ACIDENTES AÉREOS

UMA BOA DICA PARA TENTAR
REDUZIR OS ACIDENTES AÉREOS

A maneira correta de operar qualquer avião vem definida em seu Manual de Operações, e é baseado em dados de computador e voos de teste efetuados pelos pilotos e engenheiros da fábrica.


Nos voos experimentais o avião é levado aos extremos de seus limites operacionais sob as mais diversas condições. Seu desempenho é registrado e os dados levados ao computador que os analisa. Com base nessa análise é que saem as recomendações de como esse avião deve ser operado corretamente.

Ás vezes um piloto, baseado em suas próprias experiências, não concorda com a maneira recomendada e “descobre” outra maneira que ele acha ser melhor para operar esse avião. Essa não é uma atitude muito recomendável, pois nenhum piloto, por mais experiente que seja, dispõe dos recursos que o fabricante tem para poder encontrar a melhor e mais eficiente maneira de executar uma manobra ou um procedimento. Para isso faltam-lhe os meios, como computadores, engenheiros especializados e disponibilidade do avião, para acumular dados suficientes e chegar a uma conclusão correta.

Num exemplo típico, podemos citar o caso de um piloto que chegou à conclusão que a recomendação do fabricante de um determinado tipo de avião, que o voo para longo alcance tinha que ser efetuado a Mach .80 não estava correta, pois sua experiência de voo tinha demonstrado que, voando a Mach .82, ele obtinha um alcance maior. Isso pode, realmente, ter acontecido em alguns voos, mas o resultado de um número reduzido de testes não constituem prova suficiente para demonstrar que um procedimento está errado; é possível que nesses voos as condições estivessem mais favoráveis do que as previstas no planejamento. Um vento um pouco mais favorável do que as previstas no planejamento. Um vento um pouco mais favorável ou de intensidade diferente, uma temperatura alguns graus mais baixa, uma melhor distribuição de carga útil, são fatores que podem alterar favoravelmente o consumo de combustível. É provável que, se o voo tivesse sido conduzido de acordo com a recomendação do fabricante, a economia de combustível teria sido ainda maior.

Num outro exemplo, o piloto reportou que seu avião não tinha conseguido atingir a altitude inicial de cruzeiro prevista no plano de voo e atribuía esse fato a um excesso de peso da carga que transportava. Ao ser analisado o voo no “flight recorder” do avião, foi verificado que a velocidade mantida durante a subida tinha sido mais baixa do que a recomendada no Manual de Operação do avião. No caso, a partir de certa altitude, o avião passou a voar na “parte traseira” da curva de arrasto. Nessa situação, a capacidade de subir fica seriamente comprometida. O voo foi reproduzido num simulador do avião, usando as velocidades reais e o resultado foi idêntico ao reportado pelo piloto. Quando a experiência foi repetida mantendo as velocidades recomendadas, o simulador subiu, sem dificuldades, até o nível previsto.

Muitas vezes o próprio fabricante revisa suas recomendações operacionais baseado num grande volume de informações recebidas dos operadores; mas nós, pilotos, não devemos introduzir modificações por conta própria, pois não dispomos do volume de dados necessários para isso.

Fonte: Livro – Piloto de Jato

Autor: Cmte L. S. Pinto

Um comentário:

  1. Excelente texto, Comandante! É isso aí: em aviação não se pode inventar!

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