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A HISTÓRIA DA PANAIR DO BRASIL

( 1929 - 1965 )

A PANAIR DO BRASIL, uma das companhias aéreas pioneiras do país e a principal responsável pela popularização do transporte aéreo brasileiro, teve origem na empresa NYRBA (New York-Rio-Buenos Aires Lines) - que chegou ao Brasil através do Coronel Ralph O'Neil, da Marinha Americana. Inicialmente o coronel veio conversar com o governo brasileiro para entrar na concorrência do transporte de malas postais na América do Sul. Somente em 1930 O'Neil conseguiu autorização para operar linhas aéreas no Brasil.


A crise da bolsa de Nova York atrapalhou os negócios da Nyrba, que terminou por ser incorporada pela Pan American, um gigante da aviação americana. Assim surgiu a PANAIR DO BRASIL, que possuía 100% do capital americano. Seu nome foi modificado de Nyrba do Brasil para PANAIR DO BRASIL, em referência à empresa controladora (Pan American Airways). O nome PANAIR era o endereço telegráfico da Pan American em Nova York.

O voo inaugural se deu em 24 de janeiro de 1930, entre Rio de Janeiro e Fortaleza, com escalas em Campos, Vitória, Caravelas, Ilhéus, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e Natal incluindo o pernoite em Salvador. No total, a viagem durava 34h50 em cada sentido da rota. Os primeiros vôos de passageiros foi feito em 1931, entre as cidades de Belém e Rio de Janeiro. Nesta época, todos os pilotos eram americanos.

Depois de dominar o mercado interno e inaugurar hangares e aeroportos nas principais cidades brasileiras, a PANAIR DO BRASIL voltou-se, a partir de 1941, para as rotas internacionais. Para cruzar o Atlântico a empresa tinha à disposição os modernos Constellations. O primeiro voo foi realizado em 27 de abril de 1941. O destino era Londres, mas antes houve paradas nas cidades de Recife, Dakar, Lisboa e Paris.


Em menos de 3 anos, a PANAIR DO BRASIL já havia realizado mil vôos para a Europa, transportando mais de 60 mil passageiros. Encerrou suas atividades abruptamente em 1965, por determinação do Governo Militar. Um despacho assinado pelo Ministro da Aeronáutica, o então Brigadeiro Eduardo Gomes, em 10 de fevereiro de 1965, cassou o certificado de operação da empresa. Suas rotas aéreas foram transferidas para a VARIG e a CRUZEIRO DO SUL.

A alegação das autoridades era que a companhia era devedora da União e de fornecedores. Muitos de seus ex-funcionários e mesmo autoridades consideram tal ato uma arbitrariedade, levado a cabo por motivos escusos. Justificam-se estes com base em documentos daquele ano, que indicariam que, dentre todas as empresas aéreas brasileiras, a PANAIR DO BRASIL era a que possuía o menor montante devido ao Governo Federal.

Em 1984, os herdeiros da empresa ganharam uma ação na justiça promovida contra o Governo Federal. O Supremo Tribunal Federal considerou a falência fraudulenta e condenou a União à ressarcir a PANAIR DO BRASIL. Mas há coisas que o dinheiro ou a devolução dos direitos sobre as rotas nunca vai pagar.

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