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"JET LAG" ATINGE 90% DOS PASSAGEIROS

JET LAG ⇒ (descompensação horária) é uma fadiga de viagem. Uma condição fisiológica que é uma consequência de alterações no ritmo circadiano. As alterações podem provocar uma mudança do trabalho do organismo. O organismo de uma pessoa está acostumado com o tempo de rotação da Terra e quando uma pessoa viaja em um avião mudando de meridiano, pode ocorrer que o dia passe mais rápido.


Vômitos e pressão nos ouvidos são outros dos problemas mais freqüentes entre os passageiros. Os mais graves são a formação de coágulos no sangue, que surgem a 1 para cada 4.656 passageiros. Médicos aconselham a tomar precauções.

"Sobrevivi quase por milagre." O desabafo é de Maria José Sobreira, de 56 anos, que depois de uma viagem de seis horas até Atenas começou a sentir-se mal. "Sentia um calor insuportável, tinha falta de ar e uma aceleração cardíaca anormal", conta a professora do ensino básico. Já no hospital, entre a vida e a morte, diagnosticaram-lhe uma embolia pulmonar - obstrução das artérias do pulmão devido a coágulos que se formam nos membros inferiores e que sobem.

A formação de coágulos sanguíneos é um dos problemas mais graves que podem afetar os passageiros de avião. Mas há muitos outros, tonturas, vômitos e otites provocados pela variação da pressão.

Segundo um estudo holandês, publicado na revista PLoS Medicine em 2007, os coágulos sanguíneos formam-se em 1 em cada 4.656 passageiros. "Estas situações são bastante freqüentes nas viagens de avião e chamam-se “Trombofobites”, ou seja, inflamações das veias e formação de coágulos" garante Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, lembrando que ocorrem com mais freqüência em mulheres que tomam a pílula e fumam, nas pessoas com varizes e nos obesos.

No entanto, o cardiologista João Gorjão Clara, assegura que a possibilidade de os coágulos originarem embolias pulmonares é muito reduzida, mas pode provocar morte súbita. O especialista recupera um estudo norte-americano de 2001 que indica que a relação de casos de embolias pulmonares a bordo é de cinco em cada milhão de passageiros.

Para evitar situações como a de Maria José, que sofreu a embolia pulmonar há cinco anos, o cardiologista Gorjão Clara aconselha aos passageiros de viagens longas a levantarem-se de hora a hora, a andarem no corredor, a flexionar os joelhos, tocarem na ponta dos pés e fazerem regularmente inspirações profundas "de forma a regularizar a velocidade do sangue e o seu retorno ao coração".

Manuel Carrageta aconselha ainda a beber muitos líquidos, a evitar bebidas alcoólicas e café e usar meias ou calças apertadas durante os voos. Agora, sempre que vai viajar, a professora usa meias de descanso.

Há outros problemas de saúde que podem surgir a bordo, uns mais comuns do que outros, entre eles, o pânico de viajar num avião. Já Ricardo Carvalho, de 21 anos, sofre, sobretudo com a tensão nos ouvidos, devido à variação da pressão ao decolar e pousar.

"Tenho muitas dores e parece que o tímpano vai arrebentar", refere-se um estudante de Biologia. “Tentei minimizar o desconforto mastigando um simples chiclete, mas quando era criança não era isso que resultava. Lembro-me de minha mãe que tinha criado um aparelho caseiro, que levava sempre na bolsa quando íamos visitar nossa família na Venezuela. Com dois copos de iogurte fez um tipo de headphones. E o fato é que com isso nossos ouvidos suportavam melhor a dor", diz.

O médico responsável pelo Serviço de Saúde do Aeroporto do Galeão garante que as lesões e otites médias (também chamadas de barotraumatismos) ou perfurações do tímpano são freqüentes entre os profissionais de voo. "Chegam-nos alguns casos e acontecem, sobretudo quando se dá uma variação brusca da pressão durante o pouso", afiança João Santa Marta. "Quando algum profissional está constipado ou com obstrução nasal, não o aconselhamos a viajar".

Ana Margarida Gonçalves, de 25 anos, diz que são as tonturas e náuseas que mais a incomodam. "A única vez que viajei foi para Londres há cinco anos. Nunca mais consegui entrar num avião porque dessa vez passei o tempo todo vomitando", diz, associando o mal-estar ao nervosismo.

"O enjoo está muito relacionado com a ansiedade", confirma o neurologista Nuno Pedro Ribeiro. "Em pessoas saudáveis, a pressurização da cabina a cinco ou oito mil pés é suficiente para respirarem bem. Mas se a pessoa estiver cansada terá menos resistência à descida da pressão atmosférica e terá tendência a ter tonturas".

Por outro lado, calcula-se que cerca de 90% dos passageiros em viagens de longo curso sofram dos sintomas de “Jet lag”. A maioria das pessoas sentem fadiga durante pelo menos cinco dias após o voo, mas há também quem sofra de desorientação, desidratação e insônias. "Tem tudo a ver com o nosso ritmo biológico", sublinha o médico João Santa Marta. "Deve haver uma preparação anterior ao voo, comer apenas refeições leves e adequar as horas de sono ao país de chegada", defende Nuno Pedro Ribeiro. T E X T O

Os efeitos do álcool também são potenciados pela altitude e pela descida da pressão atmosférica, que só é parcialmente compensada pela pressurização da cabina, originando dificuldade em absorver o oxigênio e diminuição acentuada de reflexos. Na Grã-Bretanha, 35% dos incidentes a bordo devem-se ao álcool.

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